Mestre Philippe de Lyon: Vida, Milagres e Ensinamentos Integrais
Olá, praticantes da Arte! Bem-vindos a mais um encontro mágico em nosso blog.
Hoje, a pedido de muitos de vocês que desejavam mergulhar profundamente na sabedoria dos grandes mestres, vamos explorar a vida completa e os ensinamentos detalhados de uma das figuras mais cativantes do Ocultismo do Século XIX: Nizier Anthelme Philippe, reverenciado como o Mestre Philippe de Lyon.
Homem de hábitos simples, estatura média e energia inesgotável, ele acumulava atividades ligadas à iniciação, medicina, sessões de oração e curas prodigiosas. Para termos ideia de sua dedicação, ele próprio confeccionava seus instrumentos de trabalho e os utensílios de seu laboratório. Dormia pouquíssimo, mas jamais demonstrava cansaço. Preparem seu chá favorito, abram seus grimórios para anotações e venham conhecer essa jornada extraordinária!
O Nascimento de um Curador
Mestre Philippe nasceu em Rubathier (Loisieux, Savoie) em 25 de abril de 1849, às três horas da manhã. Filho de José e Maria Vachod, teve quatro irmãos. Um deles, Benoit, que faleceu de varíola aos 26 anos, era descrito por Philippe como um rapaz de imensas possibilidades iniciáticas. O Mestre dizia que fariam uma bela dupla se o irmão tivesse permanecido na Terra.
Aos 14 anos, o jovem mudou-se para Lyon para estudar, morando com um tio açougueiro, com quem trabalhava nas horas vagas para se sustentar. Esse tio era um homem bom, porém estritamente materialista. O despertar dos dons de Nizier ficou evidente no leito de morte deste tio. O jovem tocou-lhe a testa e revelou o invisível:
"O Senhor não foi um crente, veja agora!"
O rosto do velho iluminou-se com as visões do outro lado e, em paz, expirou.
Entre a Guerra e a Medicina
Philippe participou da guerra franco-prussiana de 1870, mas logo a população de Lyon, que já o procurava em seu salão no bairro de Perrache, pediu ao prefeito que o liberasse do exército para dedicar-se aos doentes. Durante a entrevista com o prefeito, um vereador robusto exigiu uma prova de seus poderes. No mesmo instante, o homem caiu desmaiado.
Ele seguiu cursos regulares de medicina na Santa Casa de Lyon com o Prof. Benédict Tessier. Seus feitos deixavam os colegas boquiabertos. Certa vez, curou um homem que chorava por uma amputação iminente. No dia seguinte, os cirurgiões descobriram que o "jovem senhor castanho" havia regenerado o membro. Em outra ocasião, perante três soldados desenganados pela febre tifóide, declarou:
"Todo o mundo vos considera perdidos, não creiam nisso; todos os três ficarão curados. Amanhã entrareis em convalescência e sereis enviados a Longchène."
Sua precisão e poder despertaram a ira dos médicos, resultando em sua expulsão da Escola de Medicina, sob acusações de medicina oculta e charlatanismo.
Perseguições e Fé Inabalável
Mestre Philippe enfrentou diversos processos por exercício ilegal da medicina, vencendo todos. Casado desde 1877 com Jeanne Julie Landar (antiga paciente) e pai de Jeanne Victoire, ele mantinha uma serenidade absoluta frente às tribulações, revelando sua forte conexão divina:
"Se o tribunal me condena, o Tribunal Celeste absolver-me-á, pois ele deu-me uma missão a cumprir e não será a potência humana que irá executá-la por mim e não poderá impedir-me de cumprir os meus deveres. A hora soou e deu o sinal de minhas provações; estarei firme e não cederei um palmo do território confiado por meu Pai."
E reafirmava o propósito de sua jornada terrena:
"Meu Pai enviou-me aqui para que cuidasse e encorajasse seus filhos, que são meus irmãos, para lhes amar, abençoar e liberá-los a Ele, tirando-os das dificuldades. Não cessarei minha obra a não ser quando ela estiver concluída. [...] Meus amigos e irmãos: não se preocupem; creiam, vim trazer a luz na confusão e não vim sem armas, sem escolta, vim armado com a verdade e a luz!"
O Karma, o Passado e a Clarividência
O Mestre pregava abertamente a reencarnação. Dizia que nenhuma dor era por acaso; era o reflexo de dívidas cármicas. "Ninguém arrancará um fio de cabelo de seu próximo que não seja obrigado a pagar". Ele alegava ter vivido na época de Jesus e mantinha extrema humildade:
"Ainda sou pequeno, e é por isso que Deus exalta minhas orações. Vocês são grandes demais e é por isso que Deus não vos ouve. Quando forem humildes e tão velhos como eu, tereis o poder de elevar o véu que separa os planos. É necessário, igualmente, amar vosso próximo como a vós mesmos."
Sobre suas origens astrais, revelava:
"Meu país não é este. Vim inspecionar uma propriedade que devo comprar a qualquer momento, mas não me arrependo de ter vindo. Vim por minha livre e espontânea vontade e o que vejo interessa-me."
Ele alertava sobre a presença de seus guardiões espirituais:
"Tenho um amigo que esta sempre comigo, mas que vocês não vêem. Esse amigo, que não me abandona jamais, não gosta que me insultem. Posso perdoar aqueles que me insultam, mas ele jamais o faz! Nosso Senhor Jesus Cristo não tinha dito isto: 'Se você insultar Aquele que está comigo, não terá seu perdão'. Aquele que me ofende, ofende Aquele que está comigo. O que diria uma pessoa se na sua frente déssemos um pontapé em seu cachorro?"
Sua clarividência era aterradora para os céticos. Em um trem com um bispo, desvendou um segredo de família trancado a sete chaves:
"Pois bem, vou satisfazer sua curiosidade: há alguns anos, um membro de sua família apareceu enforcado junto à janela e todos acreditaram em suicídio. Seu parente foi assassinado primeiro e depois dependurado para simular o suicídio".
Quando confrontado por um assassino arrogante que o chamou de idiota em público, chamou-o em particular: "Porque motivo em tal lugar, em tal hora, tinha estrangulado esta mulher? Eu estava a teu lado". O homem ajoelhou-se. Philippe ofereceu perdão: "Satisfaço teu desejo se mudares de vida e se seguires tua religião... Não precisa [confessar-se ao padre], tu já te confessaste a mim e isto basta".
Sua compreensão do Karma era tão profunda que ele se negava a intervir quando a lição era necessária. Certa vez, recusou-se a curar um paralítico: "Acontece que é a segunda existência que esse infeliz está neste estado, mendigando, pois não quer trabalhar."
O Domínio Elemental e os Prodígios
Mestre Philippe comandava os elementos. Para um camponês aflito com uma porta emperrada, disse: "Então, diga apenas à porta que se abra e ela abrir-se-á." O homem gritou: "Porta, abre-te!" e as pesadas portas escancararam-se sozinhas.
Desafiado por um homem com uma baqueta mágica, Philippe mandou que ele achasse uma pedra escondida, o que o rival fez. Mas o Mestre elevou o nível:
"Agora, é a minha vez de fazer alguma coisa. Estás vendo que não há nenhuma nuvem no céu e ninguém prevê mau tempo. Pois bem, eu desejo que dentro de 15 minutos caia uma forte chuva sobre toda vila de Arbresle, assim como sobre esta propriedade, e que nenhuma gota de água nos atinja no terraço em que estamos".
A chuva caiu pontualmente.
Sua visão além do véu também identificava o destino. Certa vez, notou um policial disfarçado, desrespeitoso, em sua reunião:
"No mesmo instante, eu vi um anjo que atravessava o teto da sala e que, vindo a ele, marcou-o sobre o Livro da Morte. Três dias após o homem estava morto".
Em outra perseguição articulada por um comissário, sua casa foi invadida e revistada:
"À noite, eu tinha decidido punir esse homem. Ele me foi trazido em corpo e em espírito e alguém colocou uma espada em minha mão. Na última hora desisti, isso não valia a pena. Caí de joelhos e orei por ele. Dentre todos os que o ajudaram nas revistas, os únicos sobreviventes são ele e seu secretário. Este último, a meu conselho, ajuda todos que eu envio. No entanto, estão entregues à justiça de Deus".
Ensinamentos sobre a Riqueza, o Trabalho e a Alma
Para Mestre Philippe, nossos atos ecoam na eternidade:
"Acontece que tudo o que digo e se faz aqui, repercute-se em todo o Universo. A maioria das pessoas que vêm aqui ficam marcados no Livro da Vida e após terem recebido um raio de luz todos ficam mais fortes".
Ele proibia o egoísmo e a ganância. Orientava a não levar processos judiciais adiante. Sobre disputas de terras, ensinava:
"Teu vizinho quer um pedaço de terreno, afirmando que lhe pertence? Pois dá-lhe! Toda a TERRA pertence a Deus e o homem aqui em baixo não passa de um ocupante provisório. Após à morte, nada levará. [...] A riqueza não é um mal em si, pois pode dar ocupação a outras pessoas. O que não se deve é guardar para si sem beneficiar o próximo, mas fazer circular. Não se deve, também, querer o dinheiro como um fim em si, mas como um meio de ajudar o próximo".
Em um caso famoso, um verdureiro implorou pela vida do filho doente. Philippe exigiu saber sobre as dívidas que os clientes tinham com o homem.
"E tu exiges o pagamento de todas essas dívidas?" Quando o verdureiro jogou seus cadernos de cobrança no fogo perdoando a todos, o Mestre entrou no quarto e ressuscitou o menino, pedindo silêncio "porque é proibido fazer milagres".
Até a ciência curvou-se. O famoso Prof. Brouardel presenciou Philippe curar uma mulher inchada pela hidropisia terminal apenas ordenando: "Caminha! Caminha mais rápido". A mulher curou-se na hora, a água desapareceu, e ela gritou: "E agora eu vou dançar". Brouardel apenas disse: "Eu me inclino, mas a Ciência não pode compreender o que acabou de se passar."
A Alma e os "Clichês" (Formas-Pensamento)
Em um círculo mais restrito, o Mestre ensinava mistérios profundos. Ele falava sobre os "Clichês" — pensamentos e intenções que ganham forma no astral (Formas-Pensamento) antes de virarem eventos físicos. Cultivar maus pensamentos cria clichês destrutivos que acabam voltando para o criador.
Sobre a jornada cósmica da Alma, ele detalhou:
"A alma é a vida do espírito, o pão do espírito. Ela é uma centelha divina; devemos fazê-la crescer. É necessário que ela se torne um sol em nós. Nossa alma cresce quando progredimos no caminho do bem.
Antes de descer na matéria, as almas estavam no paraíso e no estado de inocência e, por conseguinte, no estado de não-conhecimento. Elas brincavam como crianças ou como anjos e degustavam os frutos do Paraíso. Deus as fez degustar o bem e o mal... para aí crescer na provação e na dor.
Quando Deus lançou as almas na matéria, Ele deu a cada uma delas um caminho a percorrer, dizendo-lhes: 'Eis o caminho que deveis seguir: desbastai-o e tornai-o livre, pois o Senhor por aí deverá passar'.
A cada dia que passa a alma aproxima-se de Deus; e quando ela estiver pronta, aparecerá diante Dele. É preciso que para isso ela seja mais brilhante que o sol... É por isso que é necessário sofrer.
Suportemos, pois, nossas provações com calma e resignação, mesmo quando não soubermos porque sofremos. [...] Não conhecemos o passado, porque, se Deus nos permitisse esse conhecimento, teríamos medo."
Ele abominava a preguiça espiritual e o isolamento:
"O que sei e afirmo é que não devemos ser preguiçosos. Para ir ao Céu é preciso muito trabalho... Você considera a riqueza um grande bem e muitas vezes Deus a envia aos homens como um meio de provação. Existem seres que não vemos, mas que estão em nosso redor e que nos julgam. Não devemos viver no isolamento do mundo para não pecar. Se tens um campo, tu irias cobri-lo com areia e cinzas para que nada cresça nele e para que tu não tenhas o trabalho de retirar dele as ERVAS daninhas? Não, o Céu proíbe. O que ele deseja, ao contrário, é que coloques sandálias nos pés, tomes um bastão ou uma espada se fores fraco, e que te lances na luta.
Ninguém poderá subir ao Céu se não tiver o conhecimento de tudo. Porém, avançando por nossa vontade esse conhecimento nos será dado quando chegarmos a amar nossos semelhantes como a nós mesmos".
A Passagem do Mestre

O Mestre conhecia as regras do Universo e sujeitava-se a elas. Quando seu amado discípulo Fier estava doente, ele mostrou a passagem: "Fier, olhe... Consegues ver o que eu te mostro? [...] Sim, é belo e é lá que tu deverás ir... Fier, dá-me tua alma." E o rapaz expirou sorrindo.
A provação máxima foi sua filha. Quando pediram a cura, ele chorou e disse:
"A vontade do Céu é que ela se vá; entretanto, para vos provar que o Céu é Onipotente, farei com que ela fique melhor durante dois dias, mas no terceiro dia ela voltara ao estado em que se encontra neste momento." Após a morte dela, ele desabafou: "Quando um soldado cai é preciso avançar ainda mais".
Sabendo de seu fim, avisou os amigos: "Eu devo partir, vocês não me irão ver, mas lhes deixo o Caporal [Jean Chapas]". Em 2 de agosto de 1905, Mestre Philippe levantou-se da poltrona, deu alguns passos e entregou sua alma, deixando um legado inesgotável de magia e caridade.
Reflexão para o Praticante
A vida de Mestre Philippe de Lyon é um verdadeiro tratado de Ocultismo prático. Ele nos ensina que a verdadeira magia não foge do mundo material, mas atua dentro dele, curando, perdoando e purificando nossos "clichês" internos. A espiritualidade exige que calcemos nossas sandálias e entremos na luta diária, transformando chumbo em ouro dentro de nossos corações.
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Que a luz dos Grandes Mestres ilumine sempre seus caminhos. Bênçãos mágicas e até nosso próximo encontro!