Stanislas de Guaita O Mestre Ocultista e a Rosa Cruz Cabalística
Olá praticantes da Arte! Bem vindos a mais um encontro mágico em nosso blog. Hoje nós vamos mergulhar na profunda e fascinante história de um dos maiores pilares do ocultismo ocidental. Preparem suas xícaras de chá e abram seus grimórios pois a jornada de hoje nos levará aos mistérios da tradição primordial e à vida do grande mestre Stanislas de Guaita. Nascido sob constelações poderosas este mago dedicou sua breve e intensa existência à busca da luz e ao combate incansável das sombras reunindo grandes mentes para reavivar a antiga chama da magia.
As Origens e o Nascimento de um Mago
Guaita nasceu num sábado dia 6 de abril de 1861 às 5 horas da manhã em Alteville perto de Nancy na Lorraine Francesa. Seu mapa astral revelava uma grande sensibilidade e força espiritual seu signo ascendente se posicionou aos 27 graus e 30 minutos de Peixes e seu signo solar se colocou em Áries. Ele era filho de François Paul de Guaita e de Marie Amélie de Guaita uma católica fervorosa. Seu pai provinha de uma antiga família de origem germânica vinda da Itália ainda no reino de Carlos Magno.
Os antepassados de Guaita foram homens de guerra religiosos e poetas. Em 1715 o tataravô de Stanislas de Guaita se estabeleceu em Frankfurt se casando com uma jovem alemã. Durante o império Napoleônico o avô de Guaita se alistou no exército Francês e adquiriu a nacionalidade francesa. O pai do ocultista se fixou em Alteville onde nasceu o Mestre. Já a família de sua mãe era de descendência francesa.
O imponente brasão dos Guaita possuía um escudo dividido horizontalmente. Na parte superior uma águia imperial bicéfala se destacava em negro tendo sobre sua cabeça uma coroa. A parte inferior do escudo era em prata com três esquadros de lápis lazúli com bordas de triângulos alternadas em prata e negro.
Os autores que escreveram sobre Stanislas de Guaita não chegaram a nos fornecer muitos dados sobre a sua vida iniciática. Eles se aprofundaram apenas na doutrina que ele próprio expôs em seus livros os dados sobre sua vida particular que poderiam interessar a todos aqueles que o admiram através de sua obra se referem apenas a aspectos exteriores. Apenas sua correspondência com Joséphin Péladan deixa entrever a natureza oculta e séria de seus trabalhos iniciáticos.
Na verdade pouco antes do nascimento de Stanislas de Guaita o espiritualismo esotérico estava na moda. Segundo o Mestre Papus por volta de 1850 os Rosa Cruz tinham recebido a missão de encetar uma reação contra o materialismo oficial. Centros Martinistas tinham se organizado e parecia que o espírito cristão voltava a renascer. Este foi o clima no qual Guaita veio ao mundo das formas. Entretanto é impossível apresentar o interior de um Iniciado de sua envergadura e o revelar ao público sem efetuar uma grande profanação. O homem interior só se deixa revelar à própria Divindade. Aqueles que vivem no exterior recebem apenas os reflexos de sua grande luz. Da mesa do Senhor as migalhas caem no chão e são digeridas por todos aqueles que aspiram a poder algum dia partilhar do celeste ágape. Possam todos os iniciados que se baseiam na vida e obra dos divinos Mestres da Humanidade um dia participar de tão glorioso banquete.
A Juventude a Poesia e o Despertar Ocultista
No colégio dos Jesuítas em Nancy Stanislas de Guaita teve como companheiro Maurice Barrès um poeta que chegou a ingressar na Academia Francesa. Na primavera de 1880 Guaita e Barrès jovens aprendizes de filósofos viveram em Nancy com plena independência. Assim Barrès diria se referindo àquela época: "Esse tempo continua sendo o mais agradável de minha vida... O dia todo e eu poderia dizer a noite toda da mesma forma líamos poemas em voz alta um para o outro. Guaita que possuía uma saúde magnifica e não abusava dela me deixava somente tarde da noite mas ao amanhecer ia contemplar a elevação das brumas sobre as colinas que rodeavam Nancy".
A poesia foi a primeira manifestação literária de Stanislas de Guaita. Ele escreveu Les Oiseaux de Passage em 1881 com 20 anos de idade La Muse Noire em 1883 e Rosa Mystica em 1885. Em 1882 ele desembarcou na capital juntamente com seu inseparável companheiro Maurice Barrès. Nessa época já se havia iniciado nos estudos ocultistas e efetuado um bom relacionamento com os esoteristas parisienses. Barrès procurou logo o mundo das artes enquanto Stanislas de Guaita fez apenas um pequeno giro de reconhecimento da cidade e se concentrou em seus livros. Guaita renunciou sem vacilar à poesia pois tinha encontrado em outra parte o seu caminho.
O objetivo de seu deslocamento para Paris era a Faculdade de Direito porém ele procurava algo mais elevado embora não tivesse ainda total certeza do que se tratava. Sua vocação foi decididamente encontrada através da leitura de livros de Eliphas Levi e da obra O Vício Supremo de Joséphin Péladan pois encontrou no Sâr um mestre vivo.
O Encontro com Péladan e a Formação Magicka
O primeiro contato entre ambos se deu através de uma correspondência endereçada por Stanislas de Guaita a Joséphin Péladan em 1884 quando o remetente possuía 23 anos e Péladan possuía 25. Esta carta foi o prenúncio de uma amizade que mesmo vindo a ser posteriormente abalada perdurou praticamente até a morte de Stanislas de Guaita. Datada de 3 de novembro nela Guaita se expressava a Péladan "por falta de amigos comuns" na esperança que o autor lhe esclarecesse alguns pontos que o intrigavam.
Mais tarde ele descobriria que Péladan era um assíduo leitor de Eliphas Levi possuindo praticamente todas as suas obras. Stanislas de Guaita confessou que considerava a Cabala uma Ciência magnífica possuidora de dogmas grandiosos e mitos incomparáveis. Nessa época ele já assinava com um aleph o que demonstra a linhagem cabalística do jovem ocultista. Depois de ter conhecido Péladan Guaita se relacionou sucessivamente com Barlet Papus e Julien Lejay. Já eram seus amigos o Abade Roca conhecido como Alta e Saint Yves de Alveydre.
A partir desse momento ele intensificou suas pesquisas ocultistas e a busca de livros raros nos sebos das margens do rio Sena montando uma invejável biblioteca cabalística cuidadosamente encadernada e catalogada. Péladan tinha uma brilhante erudição mas de pouca profundidade. Os dois ocultistas em suas correspondências assinavam Mérodack para Péladan e Nébo para Stanislas de Guaita. Mérodack é um nome caldaico que expressa os atributos de Júpiter enquanto Nébo é igualmente de origem caldéia e se refere aos atributos de Mercúrio.
Em sua obra Os Filhos das Estrelas Joséphin Péladan diria: "Espírito de Mérodack Ó Júpiter Espírito de Força e de Misericórdia Senhor mui generoso magnânimo imperador de Deus senhor do templo e do palácio chefe dos magos e dos reis astro do cetro e da mitra nos fazer render a todos a honra que nos foi dada. Espírito de Nébo Ó Mercúrio Espírito de sutilidade e de magia que ensina as partes possuidor dos secretos senhor dos talismãs árbitro do destino desenvolve em nós o espírito profético e sagrado nos permite descobrir o mistério celeste astro de inteligência de SUCESSO de milagres."
Por sua vez Stanislas de Guaita demonstrando o respeito que possuía por Péladan numa de suas cartas diria: "Eu sei eu sinto que vós sois uma Inteligência superior à minha... Vós sois um gênio de espontaneidade e de síntese eu sou um talento de paciência e de análise... Em vossos contatos amistosos vós tendes o verdadeiro tato aquele da Inteligência do Coração."
Posteriormente por ocasião do afastamento de seu amigo a quem ele chegou a chamar de grande fanático sua admiração por Péladan arrefeceria. Em verdade os conhecimentos de Péladan se fundamentavam naquilo que lhe ensinara seu irmão e mestre o Doutor Adrien Péladan que Guaita não chegou a conhecer bem como no companheirismo do sábio cabalista Albert Jounet diretor da revista A Estrela poeta esotérico que escreveu As Ísis Negras e O Livro do Juízo e que também foi amigo de Guaita.
Escrevendo a Maurice Barrès Stanislas de Guaita diria: "Leia os livros de Eliphas Levi e você verá que não há nada mais belo do que a Cabala. E eu que sou relativamente versado em Química não me admiro ao ver até que ponto os alquimistas eram sábios verdadeiros com certeza a PEDRA filosofal não é nenhum embuste. A ciência mais contemporânea e mais esclarecida tende a confirmar hoje as geniais hipóteses dos magos de 6 mil anos atrás."
As Duas Colunas do Templo e a Escola de Lyon
Stanislas de Guaita sempre foi um reconciliador e a impressão que se tem é de que ele sempre estava procurando formar um grupo de Homens de Desejo em torno de si e talvez de Saint Yves de Alveydre. Isto poderá explicar sua paciência na busca da reconciliação de uns e outros possíveis candidatos ao adeptado. Ele encontrou em Papus e Barlet as duas colunas de seu edifício intelectual. O trio tinha em Eliphas Levi Fabre de Olivet Khunrath Martinez de Pasqually Saint Martin e Jacob Boheme os guias invisíveis que iluminavam a senda por onde deveriam passar não somente esses homens de vontade mas todo aquele rebanho por eles apascentado.
Seguindo as pistas de Jacob Böehme de Eckhartaussen de Pico della Mirandola de Marcelo Ficin e de Knorr de Rosenroth é que Guaita chegou a Saint Yves de Alveydre. Stanislas Papus e Barlet se apoiavam nas obras dos mestres e na Cabala Judaica fundamento da Alta Magia. Guaita afirmou: "Agora que fiz a síntese absoluta de minhas ideias sobre Cabala estou em condições de lhe dizer meu caro amigo Péladan estou CERTO. Hermeticamente falando estou absolutamente certo de estar na tradição ortodoxa... estou convencido de que te falo com conhecimento de causa. Ah se pudesse em algumas linhas te comunicar a claridade que me inunda... Me parece que a luz se faz em meu espírito e que os Arcanos se esclarecem."
Se percebe que assim como Papus Guaita representava a Senda Ativa da Iniciação aquela que conduz o Adepto a tomar o céu por assalto. Por isso quando o mestre Gérard Encause Papus fundou em Lyon a Escola de Magnetismo tendo Philippe Nizier como seu Diretor nomeou como professores a Guaita Sedir Barlet Péladan Chamuel Marc Haven Maurice Barrès e a Victor Emile Michelet. A finalidade oculta dessa escola era a de recrutar membros para as Sociedades Iniciáticas dirigidas por Papus e Guaita. Nessa escola eles ensinavam: ✨ Hebraico e Cabala ✨ Tarot e Astrologia ✨ História Oculta Magia e Medicina Oculta
Papus numa de suas obras falando de Guaita afirma que ele foi um sábio cabalista contemporâneo demonstrando todo o seu respeito pela figura de Stanislas.
A Vida Oculta entre Paris e Alteville
Stanislas de Guaita passava cinco meses do ano no seu apartamento térreo da Avenida Trudaine em Paris na zona norte da cidade onde recebia seus amigos ocultistas e onde mantinha uma segunda biblioteca. Seu salão todo decorado de vermelho obrigava a sérias meditações. As conversas com os amigos assim como as leituras cabalísticas eram grandes estimulantes para o espírito. Maurice Barrès dizia que ele era capaz de ficar semanas inteiras sem sair do apartamento cortando esse isolamento voluntário apenas pela caça aos livros onde raramente regressava sem trazer um exemplar raro.
Os sete meses restantes do ano eram passados no campo em seu castelo de Alteville com sua mãe certamente cuidando de sua produção material. No entanto ele jamais se descuidava de seus estudos ocultos e procurava visitar os doentes nos vilarejos vizinhos exercendo uma medicina caseira herdada de seu pai. Ele tinha um quarto da casa transformado em Laboratório Alquímico para uma atividade que dizia exercer desde sua tenra juventude. Esse recinto era guardado segundo acreditavam alguns criados e alguns amigos por um fantasma. Tinha ele nesse local outra biblioteca que era o local de reunião alternativo dos Rosa Cruz ordem da qual foi o seu verdadeiro renovador.
Seu laboratório químico proporcionava a transformação dos elementos por inúmeras combinações da mesma forma ocorria em seu ser uma transformação ESPIRITUAL testemunhada por seus escritos e conversas que acalentavam os corações de todos os seus irmãos. Os trabalhos realizados em Alteville se efetuavam com muita harmonia apesar da oposição de sua mãe que era católica praticamente. Segundo o seu secretário Oswald Wirth desde muito jovem se tem notícia de que Stanislas de Guaita ousava ESCREVER livros que pareciam heréticos à sua mãe viúva embora ela não pudesse compreender que eram de um escritor esotérico e cristão. Ela temia pela sua condenação eterna e o filho lhe escrevia: "Confesso a divindade do Cristo Espírito e professo o cristianismo universal ou catolicismo... Creio em Deus e na Providência e não há um dia em que eu não eleve várias vezes minha alma em direção da Absoluta Bondade ou meu espírito em direção da Verdade Absoluta."
Esta incompreensão se estendeu pela sua cidade natal e o próprio clero passou a condenar seus escritos sendo ele perseguido e banido da comunidade eclesiástica. Posteriormente um padre amigo conseguiu após árdua luta reconciliar Guaita com o poder monacal.
Apesar de ter nascido com imensa bagagem espiritual ele jamais deixou de consultar a opinião dos antigos ocultistas pois a verdade não se inventa ela existe há séculos e cabe a nós encontrá la na literatura na Natureza e em nosso próprio interior. Guaita dialogava diariamente com Eliphas Levi Fabre de Olivet Trithemo Paracelso Saint Martin e com outros pais da espiritualidade ocidental não apenas através de seus escritos mas também através da Luz Astral.
Segundo Barlet sobre Guaita: "ele via sábios pretenderem englobar no ciclo de suas descobertas todo o infinito do mundo a ciência se revoltar contra a fé o espírito novo se lançar contra a experiência dos séculos e o dogma do progresso material predominar sobre o da perfeição ESPIRITUAL e moral". Para Stanislas de Guaita o importante era alcançar a beleza da alma vencendo o orgulho. Ele diria: "A sabedoria é o único egoísmo permitido a glória é a única realidade aceitável quando ela é conquistada nas alturas. Não devemos deixar que a vida nos lastime que entorpeça pelas circunstâncias exteriores o esforço de perfeição individual. O MAGO deve se libertar do mundo e não sofrer nele." Divoire completando seus pensamentos diria: "Para ser mago é necessário ser um gênio um elo da corrente dos homens predestinados que transmitem uns aos outros de idade em idade a chama da luz".
A Fundação da Rosa Cruz Cabalística e o Encontro com Wirth
Esse jovem ocultista que possuía o mais vivo desejo de atingir o Nirvana congregava uma plêiade de cabalistas do mais alto nível a partir da última década do século dezenove como Papus Barlet Julien Lejay Chaboseau Polty Marc Haven Victor Emile Michelet Sedir Péladan Oswald Wirth e outros. Ele fundou uma sociedade para congregar esses maiores talentos vivificadores da Santa Cabala e ressuscitar o simbolismo da Rosa Cruz.
Seu conhecimento com Oswald Wirth teria ocorrido em 1887 a quem uma mulher doente à qual houvera magnetizado lhe anunciara que ele receberia uma carta lacrada em vermelho e com armas da nobreza endereçada por um homem jovem de cabelos e pele clara e de olhos azuis com idêntico interesse. Efetivamente essa carta foi ESCRITA por Guaita na sexta feira santa daquele ano convidando Oswald Wirth para um almoço no dia seguinte. Esse encontro acabou produzindo em 1889 a união do simbolismo maçônico que Wirth estudara com o significado interior do Tarô professado por Guaita publicando O Taro dos imaginários da Idade Média.
O Combate à Feitiçaria e as Provocações de Boullan
A Sociedade foi tornada pública pela necessidade de denunciar o abade Boullan de cujos ensinamentos Guaita desconfiou encarregando Wirth de investigar. Se verificou que Boullan recorria à Missa Negra a orgias sexuais e a fenômenos prejudiciais à saúde. Boullan era discípulo de Eugêne Vintras o feiticeiro desmascarado por Eliphas Levi. Vintras fundara a seita do Carmelo cujas aberrações Guaita revelou em O Templo de Satã.
Boullan foi condenado à retratação pública por um tribunal de Adeptos Rosa Cruzes e tendo se agravado seu desequilíbrio imaginou que Guaita teria sobre ele lançado um enfeitiçamento. Guaita acabou sendo acusado de práticas mágicas contra Boullan por Jules Blois nos jornais Le Figaro e Gil Blas gerando duelos de Jules Blois com Guaita e Papus sem gravidade maior. A Rosa Cruz combatia a feitiçaria enfatizando Guaita: "Nós os condenamos ao batismo da luz".
O acesso aos graus da Rosa Cruz Cabalística era efetuado mediante exame e para o último grau era necessária uma tese. O Supremo Conselho era formado por seis membros conhecidos Guaita Papus Barlet Polti Péladan e Agur e por seis ocultos. François Charles Barlet escrevia a Guaita: "A harmonia dos contrários é a fórmula mais indicada para caracterizar a tua obra... Teu método é ao mesmo tempo analítico e intuitivo... Nem pontífice nem inovador tu serás o fiel apóstolo das verdades que recebestes..." Com a demissão de Péladan foi admitido o abade Roca pseudônimo da Alfa que não se retratou de seu cristianismo esotérico e foi afastado do poder clerical. A Ordem era administrada em três câmaras: Câmara de Direção Barlet e Papus Câmara de Justiça Paul Adam Julien Lejay e Alta e a Câmara de Administração Wirth e Chaboseau submetidas ao Grão Mestre Stanislas de Guaita. Guaita respondeu à apologia mística de Wirth: "...Quando esses Iniciados considerando se quase como egrégoras pastores de almas errantes Sacerdotes e Franco Juizes quando esses Iniciados chegam a praticar passando pela TERRA algum bem a seus semelhantes eles nada mais têm a desejar e possuem em verdade a paz profunda do Rosa Cruz ".
A Cisão com Péladan e o Magnetismo de Cura
Joséphin Péladan não aceitava a liderança de Guaita e suas concepções de catolicismo romano conflitavam com a opinião dos demais. Guaita lhe dizia: "...Deus irá te conceder uma ou várias entrevistas para que possas ver a Luz integral do Cristianismo esotérico e isto sem renegar uma sílaba de teu credo sem eliminar uma das arestas do Dogma Eterno. Pois estás destinado para o futuro o céu assim o deseja... Sou pois Sacerdote do Oculto como foram em todas as épocas todos os Adeptos do terceiro grau e tenho todos os poderes para exercer o culto in secretis magicamente e não sacerdotalmente". Em outra ocasião Guaita diria: "Seria capaz de me sacrificar por tudo aquilo que creio verdadeiro belo e justo".
Péladan não admitia que falassem por parábolas e passou a editar excomunhões em nome da Rosa Cruz criando a Ordem Rosa Cruz Católica do Templo do Graal se separando em 1890. Guaita Papus e Barlet o declararam cismático e apóstata. Stanislas de Guaita buscara sempre ser um médico de almas dizendo a Péladan: "Para curar uma alma um Dirigente prudente usará alternativamente o Rigor e a Misericórdia. Assim um bom médico poderá curar um corpo sofrido pelos Semelhantes ou pelos Contrários... Eu reconheço que a homeopatia é a medicina esotérica é o magnetismo curativo quem sintetiza o emprego do medicamento." Ele acreditava que "A inteligência voluntária é entre nós o princípio ativo mas a fé é passional e passiva. A Grande Obra é o casamento do ativo e do passivo é como dizia Basile Valentin o Fixo do Volátil e o Volátil do Fixo." Guaita sempre honrou seus Mestres afirmando: "Tenho uma infinidade de livros de todos os séculos e li com atenção na Biblioteca Nacional quase todos os mestres me inclino diante de Eliphas Levi como diante do Mestre dos Mestres Ninguém que eu saiba penetrou tão profundamente no problema e ninguém construiu uma síntese tão esplêndida tão imensa e tão inabalável."
As Ciências Malditas e a Luz Astral
Em 1886 Stanislas escreveu a Péladan sobre a publicação de Os Três Mundos dando origem ao livro No Umbral do Mistério publicado em 1886. Em 1890 houve uma segunda edição contendo dois pantáculos de Henry Khunrath e em 1894 uma terceira. Nessa época sua caligrafia já demonstrava sofrimentos corporais dizendo a Péladan: "vos preparai eu estarei aqui por pouco tempo e tenho sede de vossa companhia". Ele dizia: "Eu vos escrevo no leito sofrendo como podeis ver por minha ESCRITA Procuro diminuir minha Morfina mas isto me é muito difícil".
Ele ensinava que a chave de tudo está na Luz Astral e no Tarot o tríplice significado de Nahash a alma astral do mundo. "Dominar a Luz Astral em si e na Natureza é ter descoberto e formulado o incomunicável Grande Arcano. É a matéria prima que solve e coagula para a realização da Grande Obra." Seus ensaios de Ciências Malditas deveriam compreender cinco volumes: ✨ Primeiro Volume No Umbral do Mistério ✨ Segundo Volume O Templo de Satã publicado em 1891 abordando as sete primeiras lâminas do Tarô ✨ Terceiro Volume A Chave da Magia Negra editado em 1897 ✨ Quarto Volume O Problema do Mal não concluído e completado por Oswald Wirth e Marius Lepage publicado apenas em 1949 ✨ Quinto Volume Conclusão a Apoteose Raphael Germinal diz que "O nome de Jesus simboliza então admiravelmente a queda da divindade no espaço e no tempo pelos ciclos geradores da Senda Universal" ao que Guaita adiciona "O número da queda é também o número da vontade e a vontade é o instrumento da reintegração."
A Ordem Martinista e a Solidão do Mestre
Por volta de 1888 Papus reanimara a Ordem Martinista e Stanislas de Guaita chegou a presidir uma cerimônia de Iniciação proferindo: "Aqui não tratamos de impor convicções dogmáticas. Que tu acredites ser materialista ou idealista que professes o budismo ou o cristianismo que te proclames livre pensador ou que somente aceites o cepticismo absoluto pouco nos importa realmente... Dá ao AMOR dos homens teus irmãos a denominação que quiseres Amor Solidariedade Altruísmo Fraternidade ou Caridade... Abrimos para ti os selos do livro agora deves primeiro conhecer a letra e posteriormente penetrar no Espírito dos mistérios que este livro encerra..."
Afastado da Rosa Cruz Guaita viveu cada vez mais solitário. Charles Barlet que o visitara em 1896 descreve: "Seus olhos azuis de uma calma impressionante seus traços imóveis enquadrados pela barba e pelos cabelos loiros davam à sua fisionomia algo do aspecto hierático que se imagina nos sábios da Grécia e nos Profetas da Bíblia." Sobre o mal Guaita chegou a uma conclusão definitiva: "Sem dúvida pode se dizer que Deus não criou o Mal mas admitiu o como possibilidade para o caso de que livremente o homem quisesse cometê lo." E adiciona: "Eis aqui a árvore da ciência do Bem e do Mal seu tronco bifurcado eleva se sobre uma única RAIZ Eis aqui a virgem simbólica que Apolônio encontrou às margens da Hiphasis e cujo corpo está dividido numa metade branca e numa metade negra. Eis aqui o misterioso CRISTAL do pantáculo de Tritheme no triângulo superior brilha o esquema Divino o Tetragrama incomunicável a imagem de Satã ri nas trevas do triângulo inferior."
Guaita afirmava que o ocultismo comporta um tríplice objeto de estudos Deus o Homem e o Universo. Jakin e Boaz são as colunas e os métodos são experiência e tradição. Ele definiu quatro caminhos para o homem: "em primeiro lugar a vida universal à qual se vincula pela vida de sua espécie. Depois a sua própria vida que é inerente a seu ser individual. Depois a vida refletida a vida particular de cada uma das células cujo agrupamento orgânico constitui seu próprio corpo. E finalmente num grau inferior a vida química dos átomos da matéria que se agrupam eles mesmos para formar a célula." Stanislas de Guaita foi um Cabalista e um Alquimista seguindo passos de Guilhaume Postel Reutchlin Khunrath Nicolas Flamel Saint Martin e Fabre de Olivet juntamente com Victor Emile Michelet que faleceu em 13 de janeiro de 1938 sendo o último sobrevivente do grupo.
A Passagem para o Oriente Eterno

O mal da uremia atacou Guaita da mesma forma que atacou seu pai em 1880. Em 1897 Guaita chamou Papus em Alteville para transmitir a sucessão na Ordem Cabalística da Rosa Cruz dizendo: "Talvez eu assista ao nascimento de meu livro A Chave da Magia Negra mas creio que não poderei ir mais longe". Papus sentiu que um nascimento estava prestes a ocorrer no Invisível com misteriosos sinais de tristeza e três dias depois em 19 de Dezembro de 1897 aos 36 anos de idade Stanislas de Guaita faleceu vítima de uremia.
Sem deixar testamento literário sua biblioteca avaliada em 38 mil francos foi vendida por apenas 15 mil à livraria Dorbon. A família se recusando a vender aos amigos ocultistas queimou diversos manuscritos culpando a magia por sua morte se esquecendo da genética familiar. Em 1899 Péladan sem guardar rancores dedicou L Occulte Catholique a ele escrevendo: "...Tua morte prematura assegurou toda a purificação de teu destino e tu és agora um Eleito. Eu me recomendo à tua amizade celestialmente destinada em testemunho daquela que nos uniu por muito tempo e que nos reunirá eu o espero na própria eternidade. Assim seja."
A Chama Imortal da Antiga Religião
Que a luz de conhecimento deixada por Stanislas de Guaita continue a guiar nossos corações mágicos e a purificar nossas mentes. A vida deste grande mestre nos ensina que a verdadeira sabedoria reside no equilíbrio do estudo com a intuição e na profunda paz da nossa vontade dirigida.
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