14/03/2021

Louis Claude de Saint Martin O Filosofo Desconhecido

Olá praticantes da Arte! Bem vindos a mais um encontro mágico em nosso blog. Hoje vamos mergulhar na vida e na sabedoria de uma das figuras mais fascinantes da história do Ocultismo e da magia ocidental. Peguem uma xícara de chá aconchegante acendam uma vela para iluminar a intuição e venham conhecer a jornada inspiradora daquele que buscou a luz e a reintegração espiritual profunda.

🔮 O Início da Jornada e as Primeiras Influências

Louis Claude de Saint Martin o Filósofo Desconhecido pensador profundo e grande iniciado nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise Tourraine no centro da França no seio de uma família nobre mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint Martin sua mãe faleceu e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta pessoa amável e de bom coração que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie ministro protestante de Genebra. Com esse autor apreendeu a conhecer a si mesmo relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época.

"É à obra de Abbadie A Arte de Conhecer a Si Mesmo que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade."(1)

Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos em meio às discussões filosóficas dos livros que lia deu se conta de que existindo o Criador do Universo e uma alma nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade igualmente eram os estudos metafísicos que o atraíam. Estudou Direito conforme a vontade de seu pai e esse ambiente proporcionou lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire Rousseau Montesquieu e outros autores não iniciados mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. "Li vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram me."(3)

O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi lo ao conhecimento da Verdade particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou se assim ao estudo filosófico dos números e por algum tempo esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio entretanto não foi longo pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente em razão da Queda poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E nisso afirma nos seu discípulo Gence(4) ele se diferenciava de Rousseau a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade ao olhar os homens não como eram mas como gostaria que fossem.

Saint Martin amava a humanidade e considerava a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.

"Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan o Marechal de Richelieu o Duque de Orléans a Duquesa de Bourbon o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes que foram o objeto constante de seus estudos dos seus trabalhos e das suas realizações."(5)

🔮 O Encontro com o Ocultismo e a Ordem dos Elus Cohens

Iniciado pois no estudo das leis e da jurisprudência aplicou se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar se inteiramente à magistratura como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix então aquartelado em Boudeaux onde pode encontrar mais tempo para dedicar se ao estudo do Ocultismo que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva.

Foi graças a um colega do Regimento Grainville que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior comandante do Regimento que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually seu iniciador nas práticas teúrgicas era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos) revigorada mais tarde pela ação de Saint Martin e Jean Baptiste Willermoz sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.

Em fins de 1768 Saint Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac avô de Honoré de Balzac o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito em carta de 12 de agosto de 1771 dirigida a seu colega Willermoz de Lyon confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. "Não é comum darem se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam se ao contrário" prosseguiu Saint Martin na referida carta "grandes intervalos de tempo entre um grau e outro segundo o progresso de cada um."(6)

Assim Saint Martin submeteu se em seguida ao método iniciático de Pasqually de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou logo depois de criticar seu primeiro Mestre por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: "São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?" perguntou Saint Martin a seu mestre Martinez. "É preciso que nos contentemos com o que temos"(7) respondeu o Grão Mestre.

Na realidade era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou no entanto e coube a Saint Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou os constantemente colocando em seu caminho homens que os ajudaram direta ou indiretamente e proporcionando lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.

Na época em que conheceu Pasqually tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação).

"Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola" relata Saint Martin a seu discípulo Kircheberger. "Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually que era nosso mestre possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia ou pelo menos não revelou como a resipiscência do ser perverso contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo ele nada nos revelou deixando nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento se o tivéssemos conosco por mais tempo..."(8)

🔮 A Senda Interior e as Divergências com o Sistema Exterior

Saint Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível que chamava de centro ou via interior. Para ele o interior deve ser o termômetro a verdadeira PEDRA de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior ativa. Esse estudo poderia pois ser útil na medida em que conduzisse à Verdade mas a Iniciação explicava ele a Kircheberger deve agir no ser central.

"Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas e a maioria daqueles que o seguiram inclusive eu receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia em todos os instantes eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto o externo nunca me seduziu nem em minha juventude."(9)

Entendia Saint Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que ao contrário em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola embora o signo do Reparador sempre estivesse presente manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava no entanto que sua senda interior desenvolvida depois proporcionava lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.

Afirmava no entanto e é bom repetir que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente revelam lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava ademais que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually.

Não apenas Saint Martin discordava do sistema de Martinez uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que em verdade dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint Martin do Oriente de Bordeaux com data de 25 de março de 1771.

"Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar me abrindo me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias não me compete tendo em vista nossa dignidade fazer qualquer observação a respeito; e diante de meu juiz eu só deveria escutar e calar. Entretanto as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem me supor que poderíeis perdoar me antecipadamente se ouso acrescentar às vossas algumas idéias próprias. Procuro como vós esclarecer me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece me muito difícil de ser atingido. Acredito que mesmo nos encontrando nas melhores condições quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode jamais apesar de seus esforços estar certo de obtê la. Ele deve esperar e orar sempre eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer quando quer sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares quando o espírito assim quiser. Não atribuais então o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias."(10)

Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho como em qualquer sistema de iniciação para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento ESPIRITUAL.

A correspondência entre Saint Martin e Willermoz iniciada em 1768 estendeu se até 1773. Em 1771 Saint Martin abandonou a carreira militar para dedicar se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez bem como com todas as suas práticas iniciáticas.

Partiu de Bordeaux em maio de 1773 na ocasião em que Martinez preparava se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir entretanto Saint Martin foi recebido no último grau dos Cohens aquele de Réaux Croix como atesta uma carta de Martinez datada de 17 de abril de 1772: "Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint Martin e Seres por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos nós os ordenamos Réaux Croix..."(11)

Em 1773 finalmente Saint Martin conheceu Willermoz em Lyon após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava se aos irmãos da Ordem: Grainville Balzac Hauterive Bacon de la Chevalerie o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon seguindo para sua cidade natal e posteriormente para Paris. Em abril de 1785 Willermoz obteve SUCESSO com suas operações: a "Coisa ativa e inteligente" finalmente mostrou se aos homens.

Saint Martin sabendo da notícia partiu de Paris em junho do mesmo ano com destino a Lyon levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário para entreter se na viagem. Ficou seis meses em Lyon partindo mais tarde para Nápoles e Londres onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law morto em 1761 e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.

"Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido ao longo de sua jornada terrena onde a cada passo não obstante encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento da sua filosofia da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz..."(12)

🔮 A Disseminação da Luz e a Oposição ao Materialismo

Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint Martin nem com Willermoz mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O "Agente Incógnito" teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint Martin publicou destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)

Talvez por esse motivo Saint Martin tenha iniciado uma série de viagens verdadeiros apostolados para realizar propaganda das idéias espiritualistas recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint Martin tinha uma conversa muito agradável uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.

Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres que não hesitavam em convidá lo para as festas pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778 em Toulouse esteve prestes a se casar; contudo esse projeto desvaneceu se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.

Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788 época em que Saint Martin retornou à Lyon mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: "Eu devolvi ao Agente" conta nos Willermoz "a seu pedido mais de 80 cadernos manuscritos inéditos que destruiu."

Com a morte de Pasqually ocorrida em 1774 em São Domingos o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá como contam seus biógrafos "que o Filósofo Desconhecido armado com a Sabedoria Divina passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história Saint Martin chamou o homem de volta à Verdade fundamentando se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente".(14)

Saint Martin entretanto nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas mas em razão da problemática da época em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa procurou para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário unir se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem sinceramente dedicar se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava paralelamente as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg as primeiras mostrando lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.

"A Revolução em todas as suas fases encontrou Saint Martin sempre o mesmo dedicado a seu objetivo. Por princípio esteve acima das considerações de nascimento e opiniões por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.

Foi em 1793 quando a família e a sociedade dissolviam se que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai velho e paralítico. Na mesma época não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua FORTUNA contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint Martin submeteu se e deixou Paris.(15)

Durante o terror revolucionário era necessária muita prudência mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint Martin recebeu um mandado de prisão embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto que o guiava na terra obscurecida pela agitação dos homens.

"Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral e a dos parisienses em particular porque a cidade que comporta sábios e doutores de toda espécie possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza medir pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam insensatos a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo como se isso lhes fosse possível. Esses sábios tão célebres e tão ruidosos não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência."(16)

Saint Martin para cumprir seu dever cívico serviu na Guarda Nacional e em Amboise foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior que formava JOVENS professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral sem contudo tornar se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento sua serenidade manifestava no entanto o sábio O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem Espírito o grande sol da transição ao século XIX.

🔮 O Encontro com a Obra de Jacob Böehme

Foi em 1788 em Estrasburgo que Saint Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme o Teósofo Teutônico através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually sendo idênticas em essência. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias elaborando um sistema sintático capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.

A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava entretanto de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann em Estrasburgo e confirmada na linha mais antiga dos Templários ao associar se com a Estrita Observância Templária do Barão de Hund.

Willermoz foi o encarregado em Lyon de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually) ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.

Saint Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado PEDRA ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)

Foi assim que passou a estudar o alemão com quase 50 anos de idade para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz isto é o Cristo.

Após ter percorrido parte da Europa estabeleceu seu apostolado em Toulouse Versailles e Lyon sempre lançando a semente ESPIRITUAL em uma TERRA que se tornou fecunda recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo Amboise e Paris que eram como confessou seu paraíso seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade como o Barão de Kircheberger que não chegou a conhecer mas a quem enviou um emissário o Conde Divonne para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint Martin; pertencia à Escola de Böehme da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.

Kircheberger escreveu a Saint Martin que segundo uma lenda corrente em sua Escola a Virgem Celeste a Divina Sofia nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel vindo à sua casa colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste pois como general venceu o exército de Luiz XIV que pretendia conquistar Amsterdã cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha o general não teria saído do quarto.(18)

Não somente Saint Martin acreditava no relato de Kircheberger como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. "Se estivéssemos um perto do outro escreveu lhe Saint Martin eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim mas de um modo um pouco diferente embora chegando aos mesmos resultados. Creio com efeito ter conhecido a esposa de Gichtel... mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente mas de modo muito claro o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal recusei me a toda negociação posterior."(19)

🔮 A Chave do Homem de Desejo

Acredita se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar se de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai sendo dessa maneira poderoso mas após ter se revestido de um envoltório material suas capacidades espirituais atrofiaram se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo que por extensão serve para a própria Iniciação:

A Chave do Homem de Desejo. Avant qu Adam mangeât la pomme Sans effort nous pouviouns oeuvrer. Depouis L oeuvre ne se consomme. Qu au edu pur d un ardent supir; La Clef de l Homme de Désir Doit naître du désir de l homme.

Isto é antes de Adão ter comido a maçã o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do FOGO puro emanado de um ardente suspiro advindo do grande esforço individual. Assim a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.

Seu livro O Homem de Desejo publicado pela primeira vez em 1790 são litânias no estilo do salmista nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio num caminho que o Espírito pode ajudá la a percorrer.

Saint Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater então clérico em Zurique elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger mais familiar aos princípios do livro considerou o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint Martin concordou que nesse livro encontram se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.

O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo isto é concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar se e tornar se um homem de vontade forte.

"Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque então todos os frutos que haveremos de gerar conforme nossa espécie serão produzidos dentro de nós e sem nós naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres porque elas aderem às próprias raízes e incessantemente retiram sua seiva."(20)

🔮 Ensinamentos O Silêncio e a Iluminação

Compreende se assim que o ensinamento deixado por Saint Martin e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme era muito profundo e de natureza divina. Constitui se uma Escola de Homens de Desejo ávidos por adquirirem conhecimentos uma elite do pensamento embaçada em um sistema filosófico iniciático tendo como objetivo o desenvolvimento moral e ESPIRITUAL do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê la na vida diária para atingir a perfeição interior através de um processo de autotransformação.

Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã escrupulosamente examinadas. Saint Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar que falam mais do que observam não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos emanados não apenas de seu iniciador como do próprio Mundo Invisível. Para isso necessitamos de treinamento que se efetua guardando se o silêncio em relação às pequenas coisas mesmo profanas.

Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar se às influências exteriores às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar se em torno de si mesmo é magnetizar se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar se um receptáculo das influências celestes; é tornar se a taça que recebe o influxo divino.

A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem tornando o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese o enigma dos enigmas a PEDRA bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal que a Natureza Superior descerá até a inferior purificando a em definitivo e deixando a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.

Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso pois que o iniciado encontre seu centro iniciático a divindade em si para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos até o dia em que tendo encontrado seu equilíbrio iniciático possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante contra as paixões suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.

"O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o AMOR e a ira sempre lutam entre si."(21)

A doutrina de Saint Martin difundiu se na Alemanha e na Rússia através de seus discípulos. Na Rússia a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e por conseguinte que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio a senda interior a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim a iniciação é uma senda real interior individual e não se encontra no exterior nas sociedades ou no Enciclopedismo.

🔮 Os Últimos Passos e o Legado Eterno

Em 1803 o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade pois sua saúde mostrava se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado de modo que só poderia render lhe graças.

Conta nos Gence que certa vez visitando um amigo comum Saint Martin confessou lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche em Aulnay após leve refeição retirou se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre mas ganharam a eterna e permanente proteção ESPIRITUAL que nos envia do Reino da Glória através dos Mundos Invisíveis.

Hoje a obra de Louis Claude de Saint Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo como Homem e como Iniciado o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo.

Que cada um possa transformar se em um Novo Homem renascido pela Luz que resplandece na alma de todos e que engendrará no futuro o Homem Espírito o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.

📚 Obras de Louis Claude de Saint Martin

⭐ 1) Des Erreurs et de la Vérité ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg 1775 2 vol.

⭐ 2) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis Androphile 1784.

⭐ 3) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu l Homme et l Univers. Édimbourg. 1782.

⭐ 4) L Homme de Désir. Lyon 1790.

⭐ 5) Ecce Homo. Paris Cercle Social 1792.

⭐ 6) Le Nouvel Homme. Paris Cercle Social 1792.

⭐ 7) Letre à un Ami ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris Louvet Palais Égalité 1796.

⭐ 8) Éclair sur l Association Humaine. Paris Marais 1797.

⭐ 9) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris Cercle Social 1798.

⭐ 10) Réflexiones d un Observateur sur la Question Proposée por l Institut: "Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d un Peuple?. Paris 1798.

⭐ 11) De l Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris 1799.

⭐ 12) L Esprit des Choses ou Coup d Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l Objet de leur Existence. Paris 1800 2 vol.

⭐ 13) Le Ministère de l Homme Esprit. Paris 1802.

⭐ 14) Oeuvres Posthumes de Saint Martin. Tours 1807 2vol.

⭐ 15) Traité des Nombres. S l M. Léon 1844.

⭐ 16) Correspondence de Saint Martin avec Kircheberger Baron de Liebisdorf des annèes 1792 a 1799 S. n. t.

📚 Traduções das Obras de Jacob Böehme

⭐ 17) L Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie de l Astrologie et de la Théologie. Paris 1800.

⭐ 18) Des Trois Principes de l Essence Divine ou de l Eternel Engendrement sans Origine de l Homme d où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris 1802 2 vol.

⭐ 19) Quarente Questions sur l Origine l Essence l Etre la Nature et la Propriété de l Ame suivies des "Six Poit". Paris 1807.

⭐ 20) De la Triple Vie de l Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris 1809.

📜 Notas e Referências

⭐ 1 SAINT MARTIN L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint Martin fait par lui même p. 58 59.

⭐ 2 Id. t.1 p.5.

⭐ 3 Id. t.1 p.78 9.

⭐ 4 J. B. M. Gence foi discípulo de Saint Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint Martin and Kircheberger Baron de Liebistorf P. V.

⭐ 5 Id. p. VI.

⭐ 6 PAPUS. L Illuminismo en France 1771 1803: Louis Claude de Saint Martin as Vie as Voie Theurgique ses Oeuvrages son Oeuvre ses Disciples suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites p. 109.

⭐ 7 MATER M. Saint Martin le Philosophe Inconnu. Ed. d Aujourd hui p. 20.

⭐ 8 SAINT MARTIN L. C. Theosophic Correspondense op. Cit. Carta XCII.

⭐ 9 Id. Carta IV

⭐ 10 PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.

⭐ 11 Id. p. 12.

⭐ 12 Comentário deixado por Ary Ilha Xavier profundo conhecedor das obras de Saint Martin.

⭐ 13 Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg 1775 2v.

⭐ 14 Gence. Op. Cit. p. IV.

⭐ 15 Id. p. VII.

⭐ 16 SAINT MARTIN L.C. Le Crocodile Canto XV p.53.

⭐ 17 SAINT MARTIN L.C. Mont Portrait. Op. Cit. p. 42.

⭐ 18 SAINT MARTIN L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.

⭐ 19 SAINT MARTIN L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.

⭐ 20 SAINT MARTIN L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.

⭐ 21 BÖEHME J. Confesiones p. 44.

✨ Finalização Mágica

A história do Filósofo Desconhecido nos recorda que a verdadeira magia reside no aprofundamento constante dentro de nós mesmos. A senda interior o silêncio e a busca pela purificação são ferramentas poderosas que todo Homem de Desejo deve cultivar. Que os passos e a sabedoria de Louis Claude de Saint Martin inspirem sua prática e tragam clareza para o seu desenvolvimento espiritual!

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Que a Luz guie sempre o seu caminho! Abençoados sejam! 🌛🌝🌜

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