14/03/2021

Joseph Alexandre Saint Yves e os Mistérios do Arqueômetro

Olá praticantes da Arte! Bem vindos a mais um encontro mágico em nosso blog. Hoje vamos mergulhar na profunda e fascinante história de uma das mentes mais brilhantes do ocultismo e da filosofia esotérica Joseph Alexandre Saint Yves. Preparem as suas xícaras de chá e venham comigo nesta grande jornada de conhecimento ancestral!

A Juventude Desafiadora e o Caminho Literário

Joseph Alexandre Saint Yves nasceu em Paris no dia 26 de março de 1842 às uma e meia da manhã. Filho de um médico alienista ele viria a falecer de um ataque cardíaco no dia 5 de fevereiro de 1909 em Pau onde fora repousar.

Sua juventude foi marcada por muito sofrimento. Seu pai adepto de métodos repressivos na educação decidiu aniquilar o caráter revoltado do jovem. Após inúmeros incidentes o internou em uma colônia agrícola correcional em Metray. Lá Saint Yves ficou ainda mais revoltado mas a colônia era dirigida por Frederic Augusto de Metz um homem muito inteligente. Ele conseguiu orientar o espírito e a agressividade do jovem para a leitura ensinando a ele certos princípios filosóficos incluindo a grandiosa máxima "Tudo pela liberdade, nada pelo constrangimento".

Mesmo com a intervenção severa do pai após um incidente com um professor o jovem conseguiu ser aprovado no exame de bacharelado. Sendo menor de idade foi incorporado a força em um regimento da infantaria da marinha. Novamente o senhor Metz interveio e obteve licença para Saint Yves estudar medicina naval na escola de Brest. Após ficar doente ele foi libertado aos 22 anos podendo finalmente optar pelo seu próprio caminho.

As Influências e o Mestre Fabre d Olivet

De Metz sabendo da vocação literária de seu aluno orientava suas leituras na escola indicando autores como Joseph de Maistre Bonald e Fabre d Olivet. Este último o seduziu profundamente mesmo sendo apresentado como "um espírito extraviado, inimigo da fé cristã e adepto do paganismo".

Fabre d Olivet propunha uma filosofia do mundo baseada no pitagorismo e na tradição iniciática. Saint Yves escreveu mais tarde sobre essa forte influência:

"A medida que me desinteressava de Joseph de Maistre e de Bonald, gostava cada vez mais de ler Fabre d Olivet, devo confessar para minha vergonha, que essas referências, em vez de me desencorajarem, despertaram em mim o interesse por este autor. Um pagão religioso em pleno século XIX, isso respondia às minhas curiosidades, às minhas ânsias de liberdade e de análise".

A partir daí ele passaria a maior parte de sua vida analisando e ampliando a filosofia deste primeiro mestre tentando integrar essa visão dentro de perspectivas mais cristãs consagrando seus dias a reflexão profunda sobre a história e o destino de nossa humanidade.

Durante quatro anos ele viveu em Jersey conversando com exilados políticos do Segundo Império. Lá encontrou um parente de Fabre d Olivet que proporcionou a leitura de manuscritos inéditos do mestre. Depois disso se tornou professor livre na Inglaterra.

Dificuldades e a Riqueza Espiritual em Paris

Em 1872 ele regressou a Paris. Trabalhou como escriturário no Ministério do Interior com um ordenado muito pequeno mas sua prodigiosa memória o permitiu armazenar uma formidável bagagem intelectual. Os contatos durante os anos de pobreza trouxeram um verdadeiro enriquecimento espiritual.

Ele frequentou o salão do bibliotecário Jacob Lacroix e de seu irmão Jules Lacroix na Biblioteca do Arsenal. Nesta época de grande dificuldade financeira e visão pessimista que quase o fez se tornar frade trapista escreveu sobretudo versos como Heures Les clés de l orient e Le testament Iyrique.

A Virada Mágica Amor e Sinarquia

A grande fortuna sorriu para ele na pessoa de uma mulher bela inteligente e rica a condessa Marie Keller viúva do conde Keller. Apresentada nos salões da Biblioteca do Arsenal ela pertencia a alta sociedade e sua mãe era irmã da senhora Hauska confidente e esposa de Balzac.

O casamento uniu duas inteligências e abriu novas perspectivas. A condessa Keller conseguiu que o Papa concedesse a ele o título de Marquês de Alveydre em 1880. Instalados em um luxuoso hotel particular na rua Vernet em Paris ele finalmente pode encarar o futuro com grande otimismo.

Iniciando sua jornada literária e científica mostrou as populações da Bretanha que o mar era fonte de imensas riquezas descobrindo mais de trinta aplicações para as plantas marinhas.

Em 1882 escreveu Missão dos Soberanos e Missão dos Operários. Na Missão dos Soberanos apresentou de forma inédita seus conceitos de Sinarquia. Ele propôs uma forma ideal de governo sinárquico para substituir a oposição entre o Poder e a Autoridade. O Poder seria o gládio que fere e a Autoridade seria puramente espiritual. Ele afirmava:

"Há que se constituir acima das nossas nações, dos nossos governos, qualquer que seja a forma; um governo geral, puramente científico, emanado das nossas próprias nações, que consagre tudo o que constitui a sua vida interior."

A obra foi anônima com ferrenhas críticas ao papado e ao reino de Napoleão sendo atribuída até mesmo ao rei da Suécia! Já a Missão dos Operários veio assinada por ele sendo um imenso sucesso com quatro edições combatendo o Estado como oligarquia incompetente e propondo a solução sinárquica através de conselhos e câmaras ternárias.

A Grande Obra Missão dos Judeus

Publicada em 1884 a Missão dos Judeus é considerada sua grande obra prima. Dedicada aos sábios talmudistas cabalistas e essenianos a obra abrange desde a antiguidade até a dispersão dos judeus no século dois explicando brilhantemente os mistérios de quatro ordens da ciência fisiognomia cosmogonia androgonia e teogonia.

Ele defendia que os antigos já possuíam conhecimentos que temos hoje como eletricidade fotografia ótica mineralogia química magnetismo e telegrafia. Dissertou sobre as raças os druidas o ciclo de Ram Moisés Zaratustra Faraó Amon Jesus Nabucodonosor os Romanos e até a Ordem dos Templários. Terminou a obra confiando aos judeus a missão de operar um renascimento que conduza a Sinarquia.

Em 1887 escreveu La France Vraie em vinte e dois volumes baseados nos arcanos maiores do tarot rescrevendo a história humana a partir dos mitos.

Agarta e os Mistérios do Oriente

Ainda em 1887 ele conheceu o príncipe indiano Hardjij Scharriff de Bombaim mandado por um governo mundial oculto para revelar a existência de Agarta uma cidade iniciática subterrânea onde estaria guardado o conhecimento científico e de todas as ciências espirituais!

Isso inspirou a Missão da Índia na Europa com a fascinante dedicatória: "Ao Soberano Pontífice que ostenta a tiara de sete coroas, ao Brâhatmah atual". Através dela e de obras como Teogonia dos Patriarcas Missão da Europa na Ásia e A Questão do Mahatma e a sua solução ele divulgou as grandes revelações de Agarta. Sua visão profética alertava:

"Se não realizardes a Sinarquia, vejo a vossa civilização judaico cristã eclipsada dentro de um século, a vossa supremacia brutal para sempre aniquilada por um renascimento incrível da Ásia inteira, ressuscitada, de pé, sábia e armada dos pés a cabeça"

Curiosamente Saint Yves mandou destruir a Missão na Índia logo após sua publicação pois autoridades superiores ordenaram não divulgar segredos tão perigosos. Um exemplar escapou com Alexandre Keller enteado do autor e foi publicado em 1910 pela editora Dorbon Ainé. Anos mais tarde durante a Segunda Guerra Mundial os nazistas caçaram e destruíram todos os exemplares que encontraram!

O Arqueômetro e o Fim da Jornada Mágica

No fim da vida ele passou por novas dificuldades financeiras não sabendo gerir a fortuna de sua esposa. Se mudou para uma casa mais modesta em Versalhes em 1893 e logo depois ficou viúvo. Ele transformou o quarto da esposa em uma câmara ardente indo constantemente se comunicar com a alma dela.

O discípulo Barlet detalhou essas interações:

"Este gênero de comunicação nada tinha em comum com o espiritismo, o qual sempre condenou suas práticas através das suas doutrinas. Ele não tinha nenhuma faculdade mediúnica e não se servia de nenhum médium; as suas cerimônias, bastante sagradas, eram de um mundo completamente diferente"

Saint Yves carregava um conhecimento muito denso e dizia: "Se publicasse tudo aquilo que sei, integralmente, metade dos habitantes de Paris ficariam loucos, a outra metade histérica."

Foi o intenso contato com a alma da esposa que inspirou o grandioso Arqueômetro um instrumento de precisão das altas ciências patenteado em 26 de junho de 1903 e publicado em 1911. O Arqueômetro é um círculo dividido em zonas concêntricas e triângulos unindo letras do hebraico sânscrito Vattan notas musicais cores e sinais astrológicos. Isso permitia criar a síntese perfeita exprimindo o ideal da humanidade e explicava até a forma de realizar a estrutura musical de uma catedral!

Após seu falecimento em 1909 ele foi enterrado em Versalhes num túmulo construído usando os princípios do Arqueômetro. Barlet o então Grão Mestre da Rosa Cruz Cabalista declarou:

"Saint Yves estará sempre conosco para nos inspirar e nos guiar, acrescentando: não se trata de uma alusão aos procedimentos espíritas de comunicação com as almas dos mortos, mas de uma presença mental. Tenho os motivos mais sérios e o dever de afirmar que a alma de Saint Yves repousa em paz numa região inacessível à nós, e que toda evocação desta alma, verdadeira profanação segundo as suas próprias teorias, teria sobretudo, o efeito de perturbar perigosamente a do evocador"

Saint Yves deixou ainda outras obras como Odes Poema da Rainha Epopéia Russa Imperador Alexandre III e Joana d Arc vitoriosa. Foi fundador em Paris do Instituto Internacional de Altos Estudos e o ilustre Papus o considerava seu mestre intelectual fundando a Sociedade dos Amigos de Saint Yves em sua homenagem.

Finalização:

A monumental vida do Marquês de Alveydre nos mostra o quanto a magia a ciência e a dedicação verdadeira podem transformar a história da humanidade. O seu incansável desejo de unir a mais alta espiritualidade com a vida em sociedade é uma gigantesca inspiração para o nosso próprio dia a dia. Reflitam sobre como podemos usar a nossa intuição e o conhecimento mágico ancestral para trazer ordem equilíbrio e luz ao mundo ao nosso redor.

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Que os Deuses iluminem os seus caminhos com muita sabedoria e conhecimento. Abençoados sejam!

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