O dia não amanheceu;
O sol, recolhido em sua morada no horizonte, não compareceu;
Logo, à meia noite, a Lua se recolheu, juntando-se às estrelas e astros para comandar a passeata pelas ruas do Universo, convidando para entrar na luta todo companheiro que estivesse disperso.
Os animais ficaram inertes; cruzavam os galhos as árvores férteis.
As formigas paralisaram suas atividades; as abelhas aderiram ao ato, fechando a indústria do mel.
Os Pássaros não voavam no céu; não haviam nuvens, somente o vento sutilmente fazia sua ronda. O mar não lançava ondas.
No reino das geleiras foi declarado estado de alerta pelos pingüins. As borboletas não passeavam nos jardins; o arco-íris apareceu, mas não com suas cores, e sim em forma de faixa, anunciando que essa coletiva pausa era a luta por uma causa, reivindicando respeito, direito e defesa, neste inevitável e exclusivo manifesto de greve da Natureza.
As flores conservaram-se perfumosas, mas seus espinhos estavam mais agudos , pontudos, com raiva das mãos impuras.
Os rios, correntes de águas puras, embora um tanto engasgados, soluçavam bolhas de justiça.
As baleis faziam piquetes, através de rodamoinhos, em protestos contra os “tubarões”; os peixes e frutos do mar, amargurados pela tortura, meditavam e jejuavam em mutirões.
De Norte a Sul, do Oriente ao Ocidente, dos confins do mar às profundezas da Terra, nu8nca se viu incrível conjuntura, que transformou em silêncio todo o ruído e tormento ganancioso dos ministros de guerra.
Até os beija-flores não estavam amorosos, românticos, os sabiás e as cigarras suspenderam sua programação de cânticos.
Nem mesmo a mais perfeita e polêmica profecia previa que a Natureza fosse parar naquele dia.
Foi um caos...
Ouviam-se rumores até no paraíso, e tudo isso era apenas um aviso, um alerta, como se a TERRA ficasse deserta. Ninguém sabia as horas, minutos e muito menos os segundos; Não houve amanhecer, nem entardecer, nem anoitecer...
Mais incrível e fantástico que um eclipse, essa greve geral, que nenhuma emenda se atreveu declará-la ilegal.
Imagine se a natureza se manifestasse com furacões ou na erupção de vulcões...
Mas tudo isso foi muito pacífico, porque ela pensou nos homens, lembrou-se das crianças, sentiu que, apesar do pecado ecológico e da discórdia, era preciso perdoar e responder com misericórdia.
E assim, como que ouvindo novamente a Ordem da Origem do Universo, outra vez se fez luz.
Os elefantes soaram suas trombetas nas selvas; a brisa e os animais campestres retornaram às relvas, os pombos dobravam os sinos nas capelas.
A humanidade podia novamente abrir as janelas.
Tudo voltou ao normal, ao natural.
Mas a luta vai continuar, pois tudo isso vai ficar marcado na mente dos homens, e ficará também arquivado no sindicato do Universo.
Por isso CUIDADO!!!!
As corujas ficarão atentas; de verão à verão as andorinhas supervisionarão a imensidão celeste e terrestre.
Ai de você, que derramar uma só lágrima de uma flor: será convocada nova assembléia, pois se os homens não podem se unir, a Natureza provou que pode e vai parar em defesa de seus direitos.
Nuvens desumanas não mais cobrirão as estrelas da noite, nem o horizonte do amanhecer da vida, porque a Natureza unida jamais será vencida.



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