Ser aceito num grupo fechado normalmente é um poderoso excitante para o espírito humano. Mas ele envolve forças poderosas que irão modificar definitivamente a vida do estudante. Normalmente, antes de entrar num grupo, o candidato deverá passar por um processo probatório onde será testado até a exaustão em sua intenção, lealdade e dedicação com a instituição que deseja se iniciar.
Qual o objetivo da Iniciação:
Uma iniciação, como o próprio nome indica, marca o começo de uma nova vida.
Nos meios tradicionais (pode-se incluir aqui a Maçonaria, o Rosacrucianismo, a Gnose, a Golden Dawn, a O:.T:.O:., etc.) é uma dramatização de uma morte simbólica que conduz o iniciando a uma “nova vida”. Marca também a aceitação do Candidato pelo
grupo. Mais importante que tudo isso, são os vários quesitos que uma iniciação (para ser efetiva ou legítima) deve atender:
1º) Toda iniciação deve conter os símbolos inerentes ao grupo;
2º) Deve conter os conhecimentos básicos referentes ao grupo, de forma que, se o estudante lembrar-se apenas dos rituais, esses devem conter a verdade central do grupo, de forma resumida ou integral.
3º) Os
RITUAIS devem oferecer uma visão estruturada do universo conforme este é percebido pelo grupo, ou ainda, deve oferecer um conjunto de leis naturais cuja obediência possa causar o que se chama “libertação”.
4º) Um conceito de vida e morte próprio do grupo, incluindo o post-mortem. Vale lembrar que atualmente, muitos grupos começam na primeira iniciação falando da morte ou transição, para depois simplesmente ignorar o tema, como se fosse incômodo
ou desnecessário tratar desse assunto. Incômodo porque como ocidentais, ainda não
elaboramos muito nossa relação com a morte. Para nós ela ainda exibe apenas seu rosto deformado. E desnecessário porque na atual confusão reinante no meio esotérico/ocultista, teorias sobre pós-morte é o que não falta. E na esmagadora maioria delas, são apenas variações pobres da versão kardecista da reencarnação. Como muitas pessoas seguem mais de um caminho no intuito de terem uma visão “universalista” (falaremos sobre isso mais adiante), acabam fazendo um sincretismo perigoso de
crenças capaz de levar a loucura um monge tibetano. Se é assim, o que acontece com nossos místicos (não ouso chamá-los de ocultistas, com medo que minha língua cáia ou meus dedos murchem) que não enlouquecem? Será que não? Se é assim, por que existe um grande hiato no século XX de grandes escritores ocultistas, salvaguardados algumas mentes brilhantes quase desapercebidas na vastidão do vazio?
A bem da verdade, a única que merece ser chamada iniciação, é a cerimônia que marca a entrada do indivíduo no grupo. As conseqüentes são apenas cerimônias de passagem de grau. Chamá-las de iniciações é dar a elas um status que definitivamente
elas não tem. Ou pior: é ignorar tudo que foi descrito acima.
Se um grupo ou vários não consegue(m) cumprir esses quesitos, então não são
grupos dignos do nome Magia. Na atualidade creio que cabem nos dedos de uma mão
os grupos que conseguem manter essa unidade sem se deixar corromper pelas propostas
“New Age”.