Existe alguma escola para isso?
Sim. Existem algumas escolas que ensinam Magia. Mas deve-se filtrar muito bem a
escola, pois dessa escolha pode depender sua
FELICIDADE futura. Existem escolas nas
mais variadas formas e tamanhos. No estudo da Magia, pode-se separar as escolas
primeiro em dois grandes grupos:
Escolas de Misticismo (Caminho da Espada Flamejante): Aqui se encontram os
místicos de fim de semana, pessoas que gostam do assunto, mas não querem se
envolver em excesso. Pode-se obter algum progresso, mas o conhecimento é superficial
e não é completo. A Espada passa apenas sobre alguns caminhos da Etz Chaim, Árvore
das Vidas dos Qabalistas, deixando uma boa parte de fora. Existem muitas escolas que
praticam apenas essa categoria de estudos, mas uma boa parte tenta se vender como
uma Escola de Ocultismo. As Escolas de Misticismo representam quase 95% do
montante de Escolas de Magia. Mas na verdade, são apenas “viveiros”, que tem como
principal objetivo separar o joio do trigo, escolhendo os melhores estudantes que irão
ingressar nas Escolas de Ocultismo.
Escolas de Ocultismo (Caminho da Serpente da Sabedoria): Esse caminho é muito
mais rígido e normalmente ninguém entra diretamente nessas escolas. A Serpente da
Sabedoria passa por todos os caminhos da Etz Chaim, dando ao estudante um acesso a
coisas que antes ele acreditava existirem apenas em descrições fantasiosas. Muito mais
compensador, porém, muito mais perigoso (pois quem pretende aprender a Magia
aposta a Vida), esse caminho na atualidade ocupa algo em torno de 2% dos últimos 5%
das Escolas de Magia. Nesses 5%, 3 são responsáveis em preparar o estudante para os
outros 2%. De cada 100 pessoas que entram nessas escolas, apenas umas duas ou três
conseguem terminar todo o trajeto (sendo bastante otimista). Conforme diz Eliphas Levi
em seu Dogma e
RITUAL da Alta Magia: “No caminho das Altas Ciências, não convém
empenhar-se temerariamente. Mas uma vez em caminho, é preciso chegar ou perecer.
Duvidar é ficar louco, voltar para trás é precipitar-se num abismo”. Validade das Escolas
Muitos ouvem dizer que Magia não pode ser aprendida, que se nasce ou não Mago.
Isso é uma verdade apenas parcial e errônea, que tem como objetivo apenas iludir o
estudante e mantê-lo em rédea curta. Algumas pessoas nascem com o dom da Magia.
Outras, a grande maioria diga-se de passagem, precisam aprender a desenvolvê-la. Se
dependêssemos apenas dos Magos naturais para poder estudar, há muito a Magia teria
deixado de existir. Pois, por século, apenas uma meia dúzia de Magos naturais estaria
sobre a face da
TERRA , de onde podemos concluir que numa caça às
BRUXAS bem feita,
exterminaria os Magos do planeta em pouquíssimo tempo. O que seria da música por
exemplo, se tivéssemos de esperar o nascimento de um Mozart para poder ouvir boa
música ou aprender a tocar algum instrumento? Muito provavelmente, se isso fosse
verdade, talvez nem instrumentos musicais teríamos, pois ninguém saberia tocá-los o
que tornaria uma incoerência a sua produção.
As verdadeiras Escolas de Magia procuram despertar o processo Mágico dentro do
estudante. Muitas vezes, o despertar de um
MAGO por uma Escola tem tanta efetividade
quanto o despertar de um
MAGO natural.
Como saber se é uma boa escola?
1) A coisa mais importante ao ser humano é a liberdade. Qualquer grupo ou indivíduo
que se coloque acima disso, está tentando fazer de você um escravo mental.
2) Nenhum grupo deve interferir na sua crença religiosa. Sua crença e prática religiosa
como indivíduo não deve ser contraditória com seus estudos ocultos. Uma organização
verdadeiramente tradicional (são muito poucas) trata de outros assuntos. Sobre esse
tema veremos adiante.
3) Nenhum grupo "fraternal" afasta as pessoas. Principalmente de sua família. Se o seu
grupo exclui sua família ou grupo social, cuidado. Não é por gostar de ocultismo que
você precisa se envergonhar disso. É como dizia um colega: “Se você sai com alguém
que jamais apresentaria para sua família, boa coisa não deve ser”. Alguns grupos
podem ser contra a participação da família nas atividades do grupo, mas isso não deve
ser uma regra geral.
4) Nenhum grupo esotérico o aliena de suas atividades. Não é porque gosto de
ocultismo que devo abandonar o trabalho, os estudos ou a família. A Grande Obra nos
espera no escritório, em casa, e não somente em meio aos cadinhos e grimórios. Ela está
nas pequenas e nas Grandes Coisas. Separar a vida oculta da vida diária normalmente
só gera erro e arrependimento. Não devemos ter dois comportamentos diferentes, por
exemplo, um em casa ou no trabalho e outro na prática Mágica.
5) Todo o conhecimento adquirido tem que poder ser utilizado na prática. Se você não
consegue aplicá-los no seu dia-a-dia, então alguma coisa está errada. Algumas pessoas
tem um falso moralismo que lhes faz afirmar que aquilo que se aprende não se usa. Aí
vem a famosa pergunta: Se você aprende algo que não pode ser aplicado na sua vida
diária, qual o objetivo? Conforme dito acima, a Magia é um meio de libertar o homem
da escravidão do mundo profano. Se você não pode aplicar essa máxima, o estudo perde
a validade.
6) Todo grupo estruturado precisa de uma fonte de renda. Agora, quando o dinheiro fala
mais alto que aquilo que se ensina, deve-se questionar a seriedade do grupo. Ou do
membro. Grupos menores com poucas pessoas conseguem se organizar com pouco ou
nenhum gasto direto. Grupos maiores precisam da contribuição de seus membros para
manter uma estrutura.
Sexo e Magia
Algumas escolas fazem distinção do sexo (masculino ou feminino). Embora
pessoalmente não concorde com essa distinção ela deve ser respeitada. As escolas que
fazem essa distinção tem regras particulares de conduta, muitas vezes envolvendo
celibato, e normalmente indicam a vida monástica como alternativa de vida.
Pessoalmente não sou a favor dessas escolas, pois elas em última estância elas negam
ao estudante o seu complemento natural (que é o sexo oposto).
Segundo algumas correntes tradicionalistas, o ser humano só é completo quando
encontra sua outra parte (aqui sempre se referindo a uma relação heterossexual) e
consegue levar essa relação adiante. A comparação comum é que no início dos tempos
os dois eram um só, e depois foram separados.
Essa afirmação é concordante com a feita acima no texto, em que o homem busca
seu lugar de direito na hierarquia do mundo, e entre as coisas que deve fazer para
restaurar essa ordem, está a condição de voltar a ser uno. Nos ritos em que acontece
essa separação entre homem e mulher, a reconciliação torna-se impossível, sem ferir a
essência dos ensinamentos. Embora devamos ressaltar aqui que, não havendo essa
reconciliação, o indivíduo fica impossibilitado de ser uno definitivamente.
Os Ritos Unificadores (aqueles que não fazem distinção entre os sexos)
normalmente trabalham as características de ambos, às vezes separado, às vezes junto, e
no final do desenvolvimento, os homens irão desenvolver características femininas, e as
mulheres características masculinas, podendo assumir uma característica andrógina e
até hermafrodita.
O Que se Espera do Estudante
Não é apenas o estudante que deve filtrar as escolas até encontrar uma que possa lhe
acrescentar algo. Ele deve perguntar a si mesmo: O que posso fazer pela escola? Esse
caminho é de mão dupla. Você deve obter algo da escola e dar algo em troca. Essa
relação é dinâmica e nunca estática. Não existe escola que apenas cobre sem dar nada
em troca tampouco existe escola que apenas dê o conhecimento sem exigir algo do
estudante. Mesmo que a escola cobre apenas disciplina, esta é essencial para o avanço
do estudante.
Pessoas que esperam resolver problemas kármicos, problemas
mentais, familiares e coisas do gênero, não devem se envolver com o esoterismo.
Existem hoje profissionais extremamente bem preparados para lidar com essas
situações. As Escolas Mágicas não precisam de mais um problema. Parafraseando
Homero: “Os
DEUSES não farão pelos homens o que estes não fizerem por si mesmos”.
O Mestre
Qualquer sistema que se preze deverá ter a figura de um mestre. Este recebe em várias
organizações muitos nomes, como: padrinho, tutor, monitor, mestre, etc. Um mestre não
deve ter mais que dois ou três adeptos sobre sua tutela, para que o ensino seja feito com
qualidade. Qualquer número acima disso é um risco assumido pelo mestre e pelo
estudante. Os mestres podem ser de dois tipos basicamente: escolhido pelo estudante ou
sorteado pelo grupo. Obrigatoriamente o mestre é de um grau superior ao de seu discípulo
e é quase exclusivamente sua a responsabilidade do desenvolvimento do estudante. Se o
estudante não atinge as metas estabelecidas para aquele grau, deve-se avaliar: O que
faltou para ele atingir? Ele recebeu as instruções que deveria receber? Praticou-as?
Anotou suas dúvidas? Qual foi sua participação nas atividades do grupo? E assim por
diante. E o mestre tem a obrigação de ajudar seu discípulo a seguir sempre mais alto. O
estudante jamais deve ficar sem uma resposta.
Os meios usados para ensinar
Cada grupo possui seu próprio método que vai desde tradição oral, até cursos em
multimídia. Esses últimos podem ser uma alternativa moderna mas tradicionalmente
não são levadas em consideração, uma vez que a iniciação só pode ser efetivada
pessoalmente (falaremos sobre isso no próximo tópico). Os métodos mais comuns são:
a)Contato mental: Algumas pessoas alegam receber instruções do seu mestre
diretamente em pensamento. Embora seja possível, nunca foi comprovado a eficácia
desse sistema, nem se conhece alguém que tenha percorrido todo o caminho
baseado unicamente nesse método.
b)Tradição oral: nenhum material escrito, ou gravado é entregue ao estudante. Este irá
aos encontros e receberá as instruções pessoalmente de boca a ouvido.
c)Tradição escrita: o estudante recebe algum material ou mesmo todo por escrito,
através de apostilas, livros ou monografias. Esse método só pode ser validado se for
usado junto com uma exigência prática, onde o material escrito será apenas um guia
e não o objetivo do ensinamento. Se isso acontece, corre-se o risco de se tornar um
curso de Magia por correspondência.
d)Tradição mista: utiliza diversos meios (oral, escrito, mental) para transmitir o
conhecimento. Atualmente poucos grupos usam esse método com eficácia e
equilíbrio, sem se deixar levar pelas facilidades do método escrito.
Uma boa escola tenta explorar os vários métodos, de acordo com o material a ser
passado ao estudante. Nesses casos, a figura do mestre é de fundamental importância,
pois ele irá acompanhar de perto o estudante e irá avaliar seu desempenho na
organização.
O Diário
Todo grupo que se preza deve exigir do estudante a manutenção de um diário, onde
serão anotadas todas suas experiências pessoais com a Magia. Esse diário é de uso
exclusivo do estudante, embora possa ser examinado pelo seu mestre ou chefe do grupo
quando necessário. Aconselha-se anotar no diário a data, a hora, o local, e as posições
planetárias do Sol da Lua e o dia da semana, para futura referência.
O Que Anotar?
Tudo é importante. Seja um pensamento, as práticas, um
SONHO , uma queixa, um
desejo, tudo é importante e deve ser anotado com o maior número de detalhes possível.
O diário deve ser um retrato fiel da anotação a que se refere.
Beijos e Luz e um Abraço Fraterno
Aghata Lennora