Emerson, o filósofo americano, chamou-o "uma alma colossal que estava muito além de seu tempo" ("Representative Men", London, 1896).
A grande Helen Keller, cujo livro "My Religion" é um tributo aos Escritos de Swedenborg, chamava-o "Titã" e "Gênio". Para ela, Swedenborg foi "um olho entre os cegos, um ouvido entre os surdos" e "um dos mais nobres que o mundo cristão jamais conheceu" (Helen Keller, My Religion, NY, 1953).
Poderíamos citar vários outros personagens famosos na civilização ocidental que disseram ter sido influenciados pelos Escritos swedenborguianos, como Abraham Lincoln, William Blake, Jean Oberlin e Jorge Luis Borges; e outros que eram familiarizados com suas obras, como Immanuel Kant, Linnaeus, John Wesley, Goethe, Rousseau, Baudelaire e Voltaire. Uns eram entusiastas do nobre sueco, outros o questionavam. Mas todo grande pensador tem encontrado em Swedenborg, pelo menos, um campo fértil de reflexão.
Mas, quem foi esse homem tão respeitado pelas grandes inteligências? Quem foi esse homem que pesquisou mais áreas do conhecimento humano do que qualquer outro cientista antes e depois dele? Quem foi esse que deixou uma coleção de 237 títulos de obras científicas, filosóficas, psicológicas e teológicas ainda tão pouco conhecidas no mundo?
Vivemos na época da tecnologia, da ênfase ao materialismo e do culto à vida corporal; é raro o interesse pelas matérias do espírito. Mas a criatura humana considerada em si mesma não é o corpo material limitado, mas o espírito, onde reside a vontade, o entendimento e a consciência. No homem, é o espírito que vive eternamente, muito além do corpo e da morte. É, portanto, necessário que a criatura humana eleve o nível de sua atenção, voltando-a para o mundo inexplorado do espírito, se desejar conhecer a causa, a razão e o sentido de sua existência. E é aí que o trabalho de Swedenborg entra com sua contribuição. E nós, como divulgadores de sua obra e de seus Escritos teológicos, oferecemos aos interessados algumas informações complementares sobre Swedenborg, sua vida, sua obra e sua missão, pois entendemos que são úteis ao estudioso de qualquer dos aspectos da existência
ESPIRITUAL .
Emanuel Swedenborg nasceu em 1688, em Estocolmo. Era filho de Sara Behm e Jesper Swedberg (sobrenome mais tarde mudado para Swedenborg quando a família foi elevada à nobreza pela rainha Ulrica Eleonora). Jesper era professor de Teologia na Universidade de Upsala, e, mais tarde, Bispo de Skara.
Quando iniciou seus estudos na Universidade de Upsala, Swedenborg tinha apenas 11 anos. Naquela época, a universidade oferecia quatro áreas principais de formação: Teologia, Direito, Medicina e Filosofia. Swedenborg se formou em Filosofia, mas sua mente inquiridora o levou também a muitos outros campos. A faculdade de filosofia incluía, também, o estudo de ciências e matemática. Mas ele ainda tirou cursos em direito e medicina. Como a maior parte da instrução era em latim, instruiu-se nessa língua e, depois, em grego e hebraico. Dominou também inglês, francês, italiano e holandês, além de sua língua nativa, evidentemente. Como diversão, escrevia poesias e estudava música, chegando a atuar como organista no serviço litúrgico da igreja sueca.
Terminando a universidade em 1709, empreendeu uma longa viagem ao Exterior a fim de aprimorar a instrução, passando alguns anos na Inglaterra, França, Holanda e Alemanha. Nesse período, estudou física, astronomia e a maioria das outras ciências naturais. Visitava sempre as universidades, bibliotecas e academias, procurando se relacionar com cientistas ilustres, para conversar sobre os seus campos de estudo. Interessou-se também pela mecânica prática e por ofícios tais como relojoaria, encadernação de livros, gravação de metais, construção de instrumentos musicais metálicos. Costumava se hospedar com artesãos ingleses só para aprender os seus ofícios e artes. Seus estudos posteriores incluíram cosmologia, matemática, anatomia, fisiologia, política, economia, metalurgia, mineralogia, geologia, engenharia de minas e química. Além disso, ficou muito versado na Bíblia. Em suma, numa época em que poucos indivíduos tinham acesso a uma instrução formal, Swedenborg passou 35 anos empenhado num intensivo programa de aprendizagem quase autodidata.
Em 1716, o rei Carlos XII o nomeou para o posto de Assessor Extraordinário na Faculdade Real de Minas, cargo que ocupou por 31 anos. Para se ter uma idéia de sua intensa atividade nessa primeira fase de sua vida, basta dizer que, num espaço de cinco anos apenas, publicou vinte e um trabalhos sobre assuntos de pesquisas tão diversas como: construção de bombas de
AR comprimido; de tubos acústicos; sobre novos métodos de mineração e metalurgia; sobre a construção de comportas e canais; sobre a natureza e a química do fogo; sobre a cor; sobre a fabricação do sal, etc. Dessa época é, também o projeto da construção de um submarino e de uma "máquina de voar", como chamou. Este último invento, aliás, mereceu a publicação recente, em New York, de um livro de um ex-presidente da Scandinavian Air Systems, Sr. Henri Sordeberb. Esse projeto de máquina voadora, por ter previsto, em 1714, a necessidade de todos os elementos aerodinâmicos, foi considerado, pela Academia Britânica Real de Força Aérea como o primeiro projeto racional de um avião de que se tem notícia.
Em 1716, começou a publicar um boletim científico intitulado Daedalus Hyperboreus, o primeiro período dedicado à ciência em seu país. Em 1718 publicou a primeira obra sobre álgebra, na língua sueca.
Como assessor real e grande engenheiro, Swedenborg se viu envolvido nas estratégias guerreiras de Carlos XII: certa vez, planejou e fez transportar por
TERRA , a uma distância de l7 milhas, vários navios de guerra que, de outra forma, teriam caído em poder da esquadra inimiga que os mantinha bloqueados no porto em que se encontravam.
A partir de 1718, assumiu uma cadeira na "Casa dos Nobres", corpo legislativo semelhante à Casa dos Lordes no parlamento inglês. Durante 50 anos cumpriu com fidelidade os deveres parlamentares.
Próxima página >>