Chegou o momento de falarmos de uma grande heroína. Ela não possuía a força de Héracles, nem a astúcia de Teseu e tão pouco a coragem de Jasão. Mas era dona de uma profundidade sem tamanho por trás de um doce e indecifrável sorriso. Por mais que tenha tido algumas passagens pela mitologia, foi na guerra de Tróia que concebeu a fama e tornou-se a mais conhecida das representantes de Afrodite.
Tudo começa com o julgamento de Páris, um sedutor príncipe que foi obrigado por Zeus a presidir uma disputa de beleza entre três Deusas, que desejavam a maçã de ouro destinada à mais bela.
Como as divindades gregas estão bem longe da perfeição e isso nem é algo que almejam, trataram de chantagear o rapaz. Hera, a Rainha do Olimpo ofereceu ao príncipe o poder sobre os reinos da Ásia. Athena, Deusa da sabedoria e encarregada da justiça ofereceu ao jovem seu apoio para constituir um grande e justo império. Mas a terceira Deusa, Afrodite, a doce dos apaixonados trouxe uma sedutora proposta, refletindo na maçã dourada o rosto de Helena, a mais bela mortal de que se tinha conhecimento.
Naquele momento, o coração de Páris bateu mais forte e ele já tinha sua escolha. Afrodite saiu como a grande vitoriosa e as outras Deusas com desejo de vingança. Ao voltar para seu palácio em Tróia, Páris foi informado por seu pai, o grande rei, de que deveria acompanhar seu irmão Heitor numa viagem à Esparta afim de tratar de negócios. Em Esparta, os irmãos conheceram Menelau, o governante da cidade e junto a ele, Páris viu pela primeira vez Helena, a Rainha de Esparta, reverenciada como face de Afrodite pelo povo daquela cidade.
Naquele instante, o príncipe se lembrou da imagem da mulher que seria presente de Afrodite e deu-se início a um grande e proibido
AMOR que acarretaria em grande destruição a todos.
Ao contrário da cristã Guinevere, que nos contos arthurianos se entrega a Lancelot, primo de seu então marido, o Rei Arthur, com sentimento de culpa, Helena não sofre com o novo amor. Muito pelo contrário, ela desfruta sem dor e com intensidade, tanto é que foge com Páris para a cidade de Tróia.
A fuga de Helena representa para o povo espartano a perda do sentimento mais precioso para todos que lá vivem. Era como se ela implicasse no amor, na beleza de todas as coisas e não tê-la seria como não ter as bênçãos da própria Afrodite, o que revoltava àquela população que decidiu apoiar e lutar ao lado de Menelau pelo retorno da mulher mais bela.
A guerra só chega a um desfecho, graças a idéia de Odisseu, que lutando ao lado de Esparta, constrói um cavalo de pau gigante, que abriga em seu interior vários guerreiros com a missão de surpreender o povo troiano. Temos, então, a cena onde Tróia é derrubada e Páris também acaba sendo morto. Menelau então, após dez longos anos de guerra, se reencontra novamente com Helena. Sua intenção quando isso ocorresse era matá-la, mas quem disse que ele conseguia? Foi tudo como na primeira vez em que a viu, sentiu-se envolvido pela
FELICIDADE , apaixonou-se novamente e a levou com todas as honras para Esparta, onde foi recebida novamente pelo povo de lá como uma grande rainha.
O que Helena tinha para ser aclamada e reverenciada dessa forma? O poder de encantar e fascinar! Filha de Zeus com uma rainha mortal, a bela foi muito bem criada por sua família e sempre protegida pelos irmãos. Quando criança, foi raptada por Teseu porque o herói já admirava sua beleza e sabia o quão linda iria se tornar. Mas o herói não obteve
SUCESSO , pois os irmãos da filha do Deus dos Deuses, a resgataram e levaram novamente ao seu palácio.
Seqüestrar Helena não era difícil, o mais complicado era conquistá-la. Numa época, onde os casamentos das
JOVENS mulheres eram acertados e negociados pelos pais, Helena, à frente de seu tempo, pôde escolher entre os vários pretendentes possíveis e foi por livre gosto que se casou com Menelau, sendo muito feliz com ele até conhecer o príncipe troiano.
Mas o que leva uma simples e mera mortal como Helena a ter um contato tão profundo com uma divindade chegando a representá-la? O culto aos
DEUSES gregos possui lá seus diferenciais, como qualquer outro e o que “aprendemos”, quando digo isso, especifico a todos que seguem este panteão, independente de serem wiccanos, helênicos ou admiradores, é que as divindades gregas estão próximas a nós, vivem e interagem conosco o tempo todo.
Já passei por diversas situações, onde por ventura, soltei um comentário do tipo “estava eu conversando com Deméter” ou “num dia desses Perséfone foi à minha casa” e a reação das pessoas que não conhecem o verdadeiro culto aos
DEUSES Gregos é sempre a mesma ou risos de deboche ou aquele olhar que por si só, já diz “ele se acha tão especial a ponto de conversar com os
DEUSES de igual para igual?”.
Não é questão de se achar especial, isso todos nós somos. Mas o fato é que as divindades gregas sempre foram conhecidas por terem tamanha paixão pelos humanos que se mesclavam entre eles diversas vezes. O mito do rapto de Perséfone ilustra essa cena, quando mostra Deméter após abandonar sua morada no reino dos Deuses, estabelecer-se entre os humanos bancando a babá de um jovem príncipe para camuflar o ódio por não ter obtido a ajuda dos outros
DEUSES na busca pela filha perdida.
Esses
DEUSES gostam dos humanos e de serem humanos, talvez esse seja o maior diferencial de se cultuar os
DEUSES gregos, pois aprendemos a ver nosso lado Deus e o lado humano das divindades, assim, compreendendo melhor que todos também somos Deuses. Tanto é que nos tempos antigos, no culto grego em si, para virar sacerdote não havia a necessidade de ser consagrado por um outro, pois a consagração vinha da própria divindade, bastava cultuá-la com fé, buscar e praticar os seus ensinamentos. Assim foi com vários sacerdotes e sacerdotisas de diversos
DEUSES e Deusas, que não só transmitiram os seus ensinamentos, mas como Helena também ritualizaram e os representaram em sua vida.
Busque e conheça as Divindades!
Bençãos dos
DEUSES Gregos a Todos,
Edu Scarfon.